Apresentação                          Pediatria:  (do grego: PAIDI = criança e IATRIKI = Medicina)

 A Pediatria 

A Pediatria é a área médica responsável pela atenção integral à saúde do ser humano em crescimento e desenvolvimento, ou seja, desde o recém-nascido até o final da adolescência.

  • Deve prestar assistência à criança/adolescente de modo integral :

    • Abordando aspectos orgânicos e funcionais

    • Considerando aspectos psíquicos  e  sociais

    • Atuando na Promoção e Proteção da saúde da criança, na Prevenção de agravos, no Diagnóstico e Tratamento da criança doente e na Reabilitação e Reintegração da criança convalescente à sociedade.

    • Favorecendo a integração dos níveis primário, secundário e terciário da assistência

    • Realizando ações no presente que visem proporcionar condições que garantam um futuro adulto feliz e socialmente responsável.

 

  • Deve participar ativamente de ações coletivas que visam à saúde e ao bem-estar da população pediátrica como um todo.

É uma especialidade ampla. Numa análise mais crítica, talvez não devêssemos trata-la como “especialidade”, já que este termo passa a ideia de “parte de um todo” e não condiz com o amplo espectro de atuação da Pediatria. Assim, seria mais coerente considera-la uma “universalidade”, uma vez que aborda a totalidade possível das condições somáticas e psicossociais da criança/adolescente, em caráter integral. A Pediatria, nesse sentido, assemelha-se à Clínica Médica, focada, porém, em questões relacionadas ao ser humano durante sua formação, durante o seu crescimento e desenvolvimento,

Em sua faixa de abrangência, se preocupa com questões que vão desde o planejamento da gestação pelo casal, o desenvolvimento embrionário e fetal, o parto, o período neonatal, passando por toda infância até o final da adolescência. Está sempre atenta às características de vulnerabilidade e dependência de seus pacientes, valorizando o monitoramento do crescimento e do desenvolvimento, aspectos nutricionais, imunizações contra doenças diversas, e outros aspectos próprios dessa importante fase da vida humana.

 

Durante todo esse período, atuam fatores favoráveis e desfavoráveis e cabe à Pediatria abranger aspectos que permitam ao indivíduo ter saúde no tempo presente, mas tanto quanto, para que tenha um futuro saudável quanto aos aspectos físicos, psíquicos e sociais, feliz e promissor.

O(A) Pediatra 

Para tanto, é desejável que ele (ela) tenha uma adequada formação profissional que, na medida do possível, deve ultrapassar o limite da patologia orgânica e contemplar aspectos pedagógicos e psicossociais. É extremamente desejável que o profissional cultive um conjunto de valores éticos, de humanismo, empatia, compaixão, sensibilidade, além da competência técnica, traduzidos como atitude de profissionalismo em seu relacionamento com o paciente e sua família.

O(a) Pediatra, desde o seu primeiro contato com a criança ao nascimento, participa, de forma privilegiada, de todo o processo de formação física, psíquica e social da criança e adolescente, sendo o médico que mais tem oportunidade de desempenhar ações de prevenção e promoção da saúde infanto-juvenil, pois, além do diagnóstico, tratamento e reabilitação de seus pacientes, exerce um relevante papel de educador, assumindo naturalmente a condição de importante aliado da família. 

Médico(a) Pediatra é aquele(a) que exerce a “Medicina da Criança e Adolescente” 

Como em outras áreas, na Pediatria, o profissional deve desenvolver competências e habilidades específicas nas áreas cognitiva, sensorial e motora, e tomar atitudes capazes de solucionar as diversas demandas e desafios a ele apresentados em seu dia-a-dia profissional .

ÁREA COGNITIVA

(Área do Conhecimento, conjunto de saberes)

 

Representa a Cultura Pediátrica, ou seja, o conjunto de conhecimentos adquiridos através de sua formação inicial, mas também continuamente, pelos diversos modos de formação continuada (estudos continuados em publicações atualizadas, participação em cursos, congressos, etc.). Ou seja, o Conhecimento se adquire por meio do 'Estudar' e representa a base teórica para o desenvolvimento do Raciocínio Clínico. Mas não se pode esquecer que o conhecimento também se adquire, de modo complementar, pela avaliação reflexiva permanente sobre a prática diária.

 

O profissional deve ter conhecimento generalista das diversas áreas da Clínica relacionada ao Ser Humano em Crescimento e Desenvolvimento. Acompanha o paciente desde o nascimento (ou desde a gestação) até o final da adolescência, considerando a influência dos fatores constitucionais genéticos e hereditários e sua interação com o meio ambiente sobre a saúde da criança/adolescente. Deve conhecer os fundamentos da Puericultura, que é uma vocação pediátrica por excelência, e considerar a importância da equipe multidisciplinar de saúde na assistência infantil. Deve estar sempre procurando prestar assistência integral com um olhar biopsicossocial, agindo no presente nos vários níveis de cuidado e com vistas a garantir um  futuro  saudável ao indivíduo.

Deve buscar ainda desenvolver uma visão coletiva do contexto psicossocial onde a criança vive e buscar intervir sobre o processo saúde-doença na família e na comunidade, de forma alinhada às políticas públicas de atenção e gestão da assistência infantil.

HABILIDADES & ATITUDES:

Habilidade é o saber fazer. É ser capaz de fazer. Enquanto o Conhecimento se adquire estudando, o desenvolvimento de habilidades depende de prática, treinamento, experiência adquirida fazendo. A habilidade pode ser motora (capacidade de realizar um determinado procedimento, por exemplo), sensorial (capacidade de percepção clínica acurada, por meio dos órgãos dos sentidos) ou cognitiva (capacidade de raciocínio clínico).

 

Atitude se relaciona à ação propriamente dita. Atitude é o FAZER. É iniciativa, é proatividade. Não adianta ter conhecimento e habilidade se não tiver atitude.

ATITUDE é a expressão em atos, de todo o conhecimento adquirido (cognitivo) e da capacidade de agir (habilidade). Corresponde à aplicação dos conhecimentos e treinamentos, traduzidos na execução de ações concretas voltadas para o benefício do paciente.  A simples postura profissional no relacionamento médico-paciente (o olhar, o falar, o ouvir, o tocar, toda a linguagem não verbal...)  representa um exemplo de atitude. A obtenção de uma história clínica detalhada e organizada, a realização de um exame físico completo, a prescrição médica,  a execução de um procedimento... que resultem em contribuição ao bem estar geral da criança e do adolescente. A atitude também inclui ações junto às famílias e ao Estado, visando garantir a saúde em nível coletivo.

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SER
CONHECER
SABER FAZER
QUERER FAZER
FAZER
O profissional deve pautar sua prática na literatura científica atualizada, com base em evidências. Mas, ao mesmo tempo, observar atentamente a evolução de seus pacientes. As experiências vividas no dia-a-dia devem ser reavaliadas de modo recorrente e reflexivo e continuamente aperfeiçoadas, em função da refinada observação dos resultados obtidos. Assim vai sendo construída a experiência profissional, no contínuo aprimoramento do cuidado integral aos seus pacientes.
Professor Lúcio Henrique de Oliveira