Vacinação da criança e do adolescente

Vacinação

CALENDÁRIOS VACINAIS 2022

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 Vacinação

Informações específicas sobre cada VACINA

Imunidade & VACINA

Imunidade é um termo que significa proteção. No nosso contexto, significa proteção contra determinada doença. A imunidade pode ser inata, aquela que já está presente ao nascimento (inespecífica) ou adquirida, quando se desenvolve após o nascimento (específica contra cada agente exposto). A imunidade adquirida (Humoral e Celular) pode ser natural ou artificial. Tanto a imunidade natural quanto a artificial podem ocorrer por processo ativo (imunidade ativa - estimula a resposta ativa do sistema imune com formação de memória imunológica) ou por processo passivo (imunidade passiva - transferência de imunoglobulinas específicas).

Aleitamento materno

Placenta

Doenças

Soros, Imunoglobulinas, anticorpos monoclonais

Vacinação é o ato de vacinar, ou seja, de aplicar vacinas, que são produtos imunobiológicos desenvolvidos em laboratórios especializados contendo antígenos capazes de induzir à resposta imune ativa com formação de memória imunológica. Portanto a vacinação é um processo de imunização adquirida artificial ativa que visa antecipar a imunidade contra determinado agente patogênico antes que o organismo se exponha ao mesmo. A vacina induz, entre outros efeitos, à estimulação de linfócitos T e B. Os linfócitos B iniciam a produção de anticorpos específicos (imunidade humoral). Já os linfócitos T atuam na imunidade celular e viabilizam a formação de memória imunológica.

 

V a c i n a s   

            

As vacinas contêm agentes imunizantes (antígenos) variáveis:

  • vírus vivo atenuado, vírus inativado

  • bactéria viva atenuada, bactéria inativada

  • toxoides (toxinas bacterianas modificadas)

  • componentes da estrutura bacteriana

  • componentes da estrutura viral

  • partículas semelhantes a vírus sintetizadas por técnica de engenharia genética

Agente imunizante
Vacinas
Vírus vivos atenuados
Vírus inativados
Componentes da estrutura viral
Partículas sintéticas semelhantes a vírus
Bactéria viva atenuada
Bactéria inteira inativada
Componentes da estrutura bacteriana
Toxóides (toxinas modificadas)
Sarampo, Caxumba, Rubéola, Varicela, VOP, Rotavírus, Febre Amarela
VIP, Hepatite A, Raiva
Influenza, Hepatite B
HPV
BCG
Pertussis de células inteiras
Pneumocócica, Meningocócica, Hemófilus, Pertussis acelular
Tétano, Difteria

As vacinas não são constituídas apenas pelos agentes imunizantes mas também pelo líquido de suspensão, adjuvantes, conservantes, estabilizadores e antibióticos.

Líquido de suspensão: constituído geralmente por água destilada ou solução salina fisiológica, podendo conter proteínas e outros componentes originários dos meios de cultura ou das células utilizadas no processo de produção das vacinas, tais como antígenos de ovo ou gelatina.

 

Adjuvantes: compostos contendo alumínio (alúmen), comumente utilizados para aumentar e prolongar o poder imunogênico de algumas vacinas, amplificando o estímulo provocado por esses agentes imunizantes.

Conservantes, estabilizadores e antibióticos: substâncias existentes em pequenas quantidades e atuam evitando o crescimento de contaminantes (bactérias e fungos), contribuindo para manter a estrutura do agente imunizante da vacina. Algumas vacinas utilizam mercuriais como o timerosal, e outras, antimicrobianos como neomicina ou estreptomicina. Reações alérgicas podem ocorrer se a pessoa vacinada for sensível a algum desses componentes.

Fatores que influenciam a resposta imune às vacinas

Fatores relacionados ao vacinado

 

Idade
É necessário que as crianças sejam protegidas o mais precocemente possivel de acordo com a epidemiologia de cada doença. No entanto, no primeiro ano de vida, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Assim, para algumas vacinas, dependendo de sua composição, é necessária a administração de um número maior de doses. Outro aspecto relacionado à idade é que nos primeiros meses de vida, para algumas vacinas, poderá ocorrer a interferência dos anticorpos maternos. Nesse caso, recomenda-se não vacinar nos primeiros 6 a 9 meses, pela possível inativação da vacina.

Gestação
As gestantes não devem receber vacinas de agentes vivos atenuados, pois existe a possibilidade de passagem desses agentes para o feto levando à infecção embrionária/fetal causando lesões, malformações, aborto ou trabalho de parto prematuro. Nas situações específicas de profilaxia, estará indicada a imunização passiva, que prevê o recebimento de soros ou imunoglobulinas específicas, como a imunoglobulina específica contra varicela.

Amamentação
Com exceção da vacina contra febre amarela, não há contraindicação de aplicação de vacinas virais atenuadas para as mães que estejam amamentando, pois não foram observados eventos adversos associados à passagem desses vírus para o recém-nascido. A vacina contra febre amarela na nutriz deve ser adiada até a criança completar seis meses de idade. Na impossibilidade de adiar a vacinação, deve-se avaliar o benefício pelo risco. Em caso de mulheres que estejam amamentando e tenham recebido a vacina, o aleitamento materno deve ser suspenso preferencialmente por 28 dias após a vacinação (com o mínimo de 15 dias).

Pacientes imunodeprimidos
Os pacientes imunodeprimidos – devido às neoplasias ou ao tratamento com quimioterapia e/ou radioterapia, corticoide em doses elevadas, HIV/aids,imunodeficiências congênitas – deverão ser avaliados caso a caso para a administração adequada de imunobiológicos. Tais pacientes não deverão receber vacinas vivas. Nas situações de pós-exposição, eles receberão soros ou imunoglobulinas específicas. Para cada imunodeficiência pode-se substituir, indicar, contraindicar ou adiar a indicação de algum imunobiológico.

Uso de antitérmico profilático
Em estudos realizados, observou-se que as crianças que receberam paracetamol profilático apresentaram uma redução nos títulos de anticorpos das vacinas administradas. É importante salientar que não há necessidade de revacinação, pois os títulos – embora sejam menores em comparação ao grupo de crianças que não receberam antitérmico profilático – estavam em níveis protetores. Considerando-se essa situação, recomenda-se a sua utilização apenas para as crianças com história pessoal e familiar de convulsão e para aquelas que tenham apresentado febre maior do que 39,5ºC ou choro incontrolável após dose anterior de vacina tríplice bacteriana (penta ou DTP ou DTPa). Nessas situações, indica-se antitérmico/analgésico no momento da vacinação e com intervalos regulares nas 24 horas até as 48 horas subsequentes.

Fatores relacionados à vacina

Via de administração
O uso de vias de administração diferentes da preconizada poderá interferir na resposta imune.


Dose e esquema de vacinação
De modo geral, as vacinas inativadas necessitam de maior número de doses para uma adequada proteção, enquanto as vacinas atenuadas, necessitam apenas de uma dose ou duas doses para uma adequada proteção.

Contraindicações comuns a todo imunobiológico

Contraindicação é entendida como uma condição do usuário a ser vacinado que aumenta, em muito, o risco de um evento adverso grave ou faz com que o risco de complicações da vacina seja maior do que o risco da doença contra a qual se deseja proteger. (As contra-indicações específicas podem ser vistas na descrição de cada vacina).


1. Usuários com imunodeficiência clínica ou laboratorial não devem receber vacinas de agentes vivos atenuados.

Em geral, as vacinas bacterianas e virais atenuadas não devem ser administradas a usuários com imunodeficiência congênita ou adquirida, portadores de neoplasia maligna, em tratamento com corticosteroides em dose imunossupressora e em outras terapêuticas imunodepressoras (quimioterapia, radioterapia etc.).

 

2. Gestantes não devem receber vacinas com vírus vivo atenuado ou bactéria viva atenuada.
 

3. Ocorrência de hipersensibilidade (reação anafilática) confirmada após o recebimento de dose anterior;
 

4. História de hipersensibilidade conhecida a qualquer componente dos imunobiológicos;


Notas:

  • Corticosteroides: É considerada imunossupressora a dose superior a 2 mg/kg/dia de prednisona ou equivalente para crianças e acima de 20 mg/kg/dia para adultos por tempo superior a 14 dias.  (Doses inferiores às citadas, mesmo por período prolongado, não constituem contraindicação). O uso de corticoides por via inalatória ou tópicos ou em esquemas de altas doses em curta duração (menor do que 14 dias) não constitui contraindicação de vacinação.

  • HIV: Usuários infectados pelo HIV precisam de proteção especial contra as doenças imunopreveníveis, mas é necessário avaliar cada caso, considerando-se que há grande heterogeneidade de situações, desde o soropositivo (portador assintomático) até o imunodeprimido, com a doença instalada. Crianças filhas de mãe com HIV positivo, menores de 18 meses de idade, mas que não apresentam alterações imunológicas e não registram sinais ou sintomas clínicos indicativos de imunodeficiência, podem receber todas as vacinas.


 Adiamento da vacinação

  • Usuário de dose imunossupressora de corticoide: vacinar três meses após a suspensão ou o término do tratamento.

  • Usuário que necessita receber imunoglobulina, sangue ou hemoderivados: não vacine com vacinas de agentes vivos atenuados nas quatro semanas que antecedem e até três meses após o uso daqueles produtos.

  • O usuário que fez transplante de medula óssea (pós-transplantado) deve ser encaminhado para revacinação conforme indicação após seis a doze meses da realização do transplante.

  • Usuário que apresenta doença febril aguda: não vacine até a resolução do quadro, para que os sinais e sintomas da doença não sejam atribuídos ou confundidos com possíveis eventos adversos relacionados à vacina.


Vacinação simultânea

 

A vacinação simultânea consiste na administração de duas ou mais vacinas no mesmo momento em diferentes regiões anatômicas e vias de administração. De um modo geral, as vacinas dos calendários de vacinação podem ser administradas simultaneamente sem que ocorra interferência na resposta imunológica, exceto as vacinas contra febre amarela e tríplice viral / contra varicela / tetra viral, que devem ser administradas com intervalo de 30 dias.
 


Falsas contraindicações

  • Doença aguda benigna sem febre: quando a criança não apresenta histórico de doença grave ou infecção simples das vias respiratórias superiores.

  • Prematuridade ou baixo peso ao nascer: as vacinas devem ser administradas na idade cronológica recomendada, com exceção para a vacina BCG, que deve ser administrada nas crianças com peso ≥ 2 kg.

  • Ocorrência de evento adverso em dose anterior de uma vacina, a exemplo da reação local (dor, vermelhidão ou inflamação no lugar da injeção).

  • Diagnósticos clínicos prévios de doença, tais como tuberculose, coqueluche, tétano, difteria, poliomielite, sarampo, caxumba e rubéola.

  • Doença neurológica estável ou pregressa com sequela presente.

  • Antecedente familiar de convulsão ou morte súbita.

  • Alergias, exceto as alergias graves a algum componente de determinada vacina (anafilaxia comprovada).

  • História de alergia não específica, individual ou familiar.

  • História familiar de evento adverso à vacinação.

  • Uso de antibiótico, profilático ou terapêutico e antiviral.

  • Tratamento com corticosteroides em dose não imunossupressora ou corticosteroides inalatórios ou tópicos ou com dose de manutenção fisiológica.

  • Quando o usuário é contato domiciliar de gestante, uma vez que os vacinados não transmitem os vírus vacinais do sarampo, da caxumba ou da rubéola.

  • Convalescença de doenças agudas.

  • Usuários em profilaxia pós-exposição e na reexposição com a vacina raiva (inativada).

  • Internação hospitalar.

  • Mulheres no período de amamentação (considere as situações de adiamento para a vacina febre amarela).