Higiene Pessoal e Ambiental

É papel do(a) pediatra orientar a família quanto à importância dos cuidados de higiene pessoal e ambiental, tendo com o objetivo a promoção da saúde e prevenção de doenças. As crianças têm maior risco de adquirir infecções e parasitoses, considerando sua maior suscetibilidade imunológica e seu comportamento próprio, como por exemplo, hábitos de levar as mãos e objetos à boca, o contato frequente com o solo, a permanência das mãos sujas, fraldas sujas, contato descuidado com animais, com outras crianças, etc. Os cuidados de higiene devem ser ensinados às crianças desde cedo, visando prevenir ou minimizar os riscos de contaminação no ambiente. A responsabilidade de ensinar é principalmente dos pais, mas envolve também os demais cuidadores e conta com o importante apoio da escola e a orientação de profissionais de saúde. Da mesma forma, a obrigação de manter o ambiente limpo e saudável é tarefa dos adultos responsáveis por cuidar da casa (da creche/escola) onde vive a criança.

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Bebê após o banho

É preciso dizer, por exemplo, que lavar e pentear os cabelos não permite que os piolhos se instalem; outro exemplo: explicar que as cáries são causadas por bactérias que danificam os dentes. 

Então, devemos escová-los e usar fio dental várias vezes ao dia para evitar complicações. Aliado a isso, na escola, as crianças recebem orientações e participam de atividades pedagógicas que reforçam os ensinamentos de casa.  

HIGIENE PESSOAL

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Os cuidados de higiene pessoal começam pelos adultos e têm influência direta na saúde de toda a família. Uma família cuidadosa reduz muito o risco de adquirir ou transmitir doenças às crianças. Todos os adultos da casa onde vivem crianças devem se empenhar em ter hábitos adequados de higiene, destacando os cuidados de higiene bucal, os banhos diários, o hábito de lavar as mãos frequentemente, cuidados com os cabelos, manter as unhas aparadas, cuidados com as roupas, com a água e alimentos, o destino correto do lixo, o cuidados com animais, etc. Com isso, além de criar um ambiente saudável, oferecem bons exemplos para as crianças.

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Desde o início da infância, a criança deve aprender o autocuidado. Para tanto, elas devem aprender primeiro a conhecer o próprio corpo, para depois entender a importância de cada hábito de higiene relacionado. A família pode facilitar esse processo, criando e mantendo uma rotina diária, desde a manhã até a noite, destacando em cada horário, os hábitos de higiene necessários (como: a hora do banho, o hábito de lavar as mãos antes de cada refeição; o hábito de escovar os dentes e usar o fio dental, etc.). Com o tempo, a criança vai se acostumando a essas atividades até as incorporarem em sua rotina. Não se esquecendo que é muito importante que ela possa entender as razões e os motivos para essas obrigações com a higiene pessoal.  

Os pais devem sempre conversar com seus filhos e orienta-los de forma simples, usando uma linguagem adequada a cada fase do desenvolvimento da criança, para que eles assimilem a importância das diferentes modalidades de cuidados de higiene.

Banho

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É preciso que a criança tenha uma hora marcada para tomar o banho e seus utensílios (sabonetes, xampu, condicionador e toalhas) devem estar sempre ao seu alcance quando estão aprendendo a tomar banho sozinhas. Os pais devem mostrar a maneira certa de lavar os cabelos, as partes íntimas, os pés e todo o corpo. Elas precisam de auxílio até uns seis anos, quando podem exercer essa atividade totalmente sozinhas. É importante que: Cada criança tenha a sua toalha. Os cabelos das crianças sejam lavados regularmente e, para penteá-los, o ideal é que cada uma tenha o seu próprio pente. A roupa suja seja colocada no cesto e encaminhada para lavar.

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Cuidados com as roupas  A higiene com as roupas também é importante. As roupas íntimas devem ser trocadas diariamente assim como as camisetas. Outro procedimento importante é passar as roupas com ferro quente, pois isso irá eliminar micro-organismos, além de dar uma aparência melhor às vestimentas.

Cuidados com cabelos  Para os meninos, essa tarefa é mais fácil porém as meninas precisam de mais atenção, até pelo menos sete ou oito anos de idade para lavá-los e penteá-los. O importante é ensinar desde cedo a pentear o cabelo ao acordar e depois do banho..

Higiene Bucal

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O cuidado com a saúde oral é fundamental e deve começar desde cedo. Isso exige comprometimento familiar e visitas periódicas ao dentista. Este irá orientar à família ações educativas e preventivas a serem implementadas no dia-a-dia da criança. O médico pediatra também deve orientar hábitos diários de higiene oral.

Bebês

Antes do aparecimento dos dentes, a limpeza da gengiva pode ser feita utilizando-se apenas uma gaze com água. Assim que os primeiros dentes aparecerem, a família deve começar a escovação, usando escovas apropriadas para a idade da criança. Deve ser utilizada uma escova especial para bebês, com uma cabeça pequena e cerdas super-macias. A escovação deve ser realizada da mesma maneira que a dos outros membros da família, isto é, no início da manhã e à noite, e após as refeições. À noite, a secreção de saliva diminui.  

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E como a saliva protege os dentes, este é o momento em que higiene oral é mais necessária. Sobre isso, é importante ressaltar que a mamada da madrugada deve ser suprimida assim que possível, pois geralmente a higiene oral não é realizada nessa hora.

Pré-escolares e Escolares

As crianças em idade pré-escolar e escolar devem ser orientadas e encorajadas a realizar a higiene oral no início da manhã, antes de dormir e sempre após cada refeição.

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O creme dental deve ser adequado para bebês e sempre com presença de flúor que é fundamental para prevenção de cárie dentária. Use apenas uma pequena quantidade de creme (correspondente a um grão cru de arroz - ver figura ao lado). Como a maior parte dos dentes de leite são espaçados, geralmente não há necessidade de passar fio dental entre eles.

A escovação deve ser realizada pelo adulto responsável, até os sete anos de idade, pois elas ainda não possuem destreza suficiente. Após essa idade, a criança já pode escovar os dentes sozinha, mas sempre com supervisão dos adultos. Somente aos 10 anos, as crianças podem realizar a escovação sozinhas. O creme dental infantil deve sempre conter flúor. A quantidade de creme dental na escova é inicialmente no tamanho de um grão cru de arroz. Após a criança aprender a cuspir, a quantidade de creme dental a ser colocado na escova pode aumentar para o tamanho de um grão de ervilha (ver figura ao lado).

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Passar fio dental é muito importante, especialmente para aqueles com dentes muito juntos. Para usar o fio dental, é necessária uma maior coordenação motora, por isso, um adulto deve supervisionar as crianças. Você também deve instruir a criança a limpar a língua. Enxaguantes orais somente devem ser usados após os seis anos de idade, quando é menos provável que a criança engolirá o produto.

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Sabe-se que a melhor maneira de educar uma criança é dando exemplo. Em se tratando da higiene bucal, o adulto deve escovar os próprios dentes enquanto a criança está por perto escovando os seus. Isso reforça a importância desse procedimento e é uma boa maneira de educá-la.

Mãos

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Lavar as mãos deve ser um ato prazeroso, realizado conjuntamente por crianças e adultos, de acordo com a capacidade de cada faixa etária. Deve-se criar um hábito de lavar as mãos obrigatoriamente antes das refeições, após evacuar ou urinar, após brincar e em outras situações em que as mãos possam estar sujas. Até os quatro anos, os pais devem levar a criança para lavar as mãos. Depois dessa idade, podem apenas lembrar a criança e supervisionar. Desde o início, os pais devem ensinar cada passo de modo lúdico: molhar as mãos, ensaboar, lavar corretamente todas as partes das mãos, enxaguar e secar.

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Aos adultos, deve-se reforçar a importância de que eles devem lavar sempre as mãos: ao chegar da rua ou do trabalho; Antes de preparar os alimentos; Antes de alimentar as crianças; Antes das refeições; Após cuidar das crianças (troca de fralda, limpeza nasal, etc.); Ao tocar em objetos sujos; Após o uso do banheiro; Após a limpeza de um local; Após remover lixo e outros resíduos; Após tossir, espirrar e/ou assoar o nariz; Ao tocar ferimentos ou áreas contaminadas.

Pés

Cuidar da higiene dos pés é importante para evitar problemas como micoses, bromidrose (“chulé”) e outros problemas. Os cuidados devem ser diários. A bromidrose é o tão conhecido mau cheiro dos pés, que muitas vezes é causado pela má higienização levando ao crescimento de fungos e bactérias que se alojam entre os dedos e nas unhas, onde decompõem células mortas dando origem ao mau cheiro tão incômodo e constrangedor. Esse processo pode ser agravado pelo uso de calçados sem meias ou meias de tecido sintético que aumentam a sudorese, ou ainda pelo hábito de usar calçados com os pés úmidos. Recomenda-se a troca diária das meias e a higiene particular dos pés durante os banhos diários, lavando bem entre os dedos e principalmente secando-os adequadamente após o banho.

Unhas

O corte das unhas das crianças deve ser orientado para que as mães/responsáveis o façam em casa. As unhas grandes acumulam mais sujeiras e facilitam a contaminação da criança, além de fazer com que elas se arranhem com facilidade. As unhas da mãos devem ser cortadas semanalmente, e as unhas dos pés de 15 em 15 dias, mas não se deve deixar estas curtas demais porque podem “encravar”.

Higiene após o uso do vaso sanitário ou penico pelas crianças

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A criança deve ser sempre acompanhada pelo cuidador até o banheiro sempre que sinalizar a necessidade de urinar ou evacuar. O responsável deve observar se o penico ou o vaso sanitário (com ou sem redutor) estão limpos e deve evitar que a criança entre em contato com fezes e/ou urina. Após evacuar a criança deve ser lavada ou deve ser limpa com papel higiênico, passando sempre no sentido da genitália para o ânus, evitando o contato das fezes com a genitália. Quando ocorrer o uso do penico, o conteúdo (fezes e/ou urina) deve ser desprezado no vaso sanitário. As fezes que restaram podem ser retiradas com papel higiênico e o penico devidamente lavado. A descarga deve ser acionada com o vaso tampado e as mãos do adulto e da criança devem ser bem lavadas.

Higiene Genital

Manter a higiene íntima é essencial para evitar infecções, assaduras e mau cheiro. Independente do sexo e da idade, os cuidados têm que ser constantes. Quando a criança ainda usa fraldas, as trocas devem ser frequentes. Todo material necessário para a troca deve estar à mão para que não se deixe a criança sozinha na bancada. Ao trocar a criança deve-se retirar o excesso de fezes e/ou urina com algodão úmido ou lenço umedecido, passando sempre no sentido da genitália para o ânus, evitando o contato das fezes com a genitália. A pele deve então ser lavada com água e sabonete neutro, sendo bem enxaguada e seca para evitar assaduras. Se desejar, pode ser usado um creme ou pomada de prevenção de assaduras. Deve-se evitar que a criança manipule a fralda suja ou a pele com fezes. As fraldas sujas devem ser descartadas em saco plástico fechado, acondicionado em recipiente para lixo, com tampa acionada por pedal. O lixo com fraldas descartáveis deve ser fechado e transportado para a área externa. Após a troca de cada criança, é fundamental que o cuidador da mesma lave bem as mãos, limpe o local onde lavou a criança e o trocador onde ela estava antes de ser trocada.

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Após o desfralde, as calcinhas e cuecas devem ser de algodão e bem confortáveis, pois as de tecido sintético e muito apertadas impedem a ventilação, estimulam a sudorese e facilitam a proliferação de bactérias e fungos. As roupas íntimas, trocadas diariamente, precisam ser bem lavadas e de preferência, passadas a ferro quente, antes de serem guardadas.

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Higiene e cuidados no preparo dos alimentos

Os alimentos, quando contaminados, podem veicular microrganismos e parasitas causando gastrenterites, hepatites, verminoses, etc. Por isso a higiene dos alimentos é tão importante. Os adultos que preparam os alimentos devem estar atentos para medidas de higiene que irão evitar a contaminação dos mesmos:

  • Antes de começar a cozinhar, lavar bem as mãos, prender os cabelos e colocar avental e gorro limpos;

  • Certificar-se de que o alimento está dentro do prazo de validade e que as embalagens não estão amassadas ou rompidas;

  • Não utilizar alimentos suspeitos ou que já apresentem sinais suspeitos de deterioração (cheiro, cor, sabor ou consistência alterados);

  • Manter os alimentos sempre cobertos com panos limpos e/ou tampados;

  • As frutas, verduras e embalagens que forem guardadas na geladeira, devem ser lavadas antes de armazenadas e também antes de serem consumidas;

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  • Desprezar alimentos que caírem no chão;

  • Não falar, tossir ou espirrar em cima dos alimentos.

  • Os utensílios da cozinha (garfos, facas, colheres, pratos, panelas, canecas, copos, bandejas, etc.) entram em contato direto com os alimentos, portanto a limpeza cuidadosa evitará que veiculem doenças.

  • Manejar os talheres pelo cabo; segurar os pratos pela parte de baixo ou pelas bordas; pegar xícaras ou canecas pelas alças.

  • Não use utensílios de madeira no preparo dos alimentos: o material é propício a proliferação de micro-organismos;

  • A lixeira deve ser provida de tampa acionada por pedal, revestida de saco plástico resistente.

  • O preparo de mamadeiras pode ocorrer na mesma área de manipulação de alimentos, mas em horários diferentes, higienizando o local antes de iniciar o preparo, para evitar a contaminação cruzada.

  • Para desinfecção de frutas e verduras: dilua uma colher de sopa de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) em dois litros de água e deixe os alimentos de molho por 15 minutos. Depois, é só enxaguar em água corrente e pode ser consumido.

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HIGIENE AMBIENTAL

A higiene ambiental é o conjunto de ações preventivas que garantem um ambiente com condições favoráveis à saúde, minimizando a possibilidade de transmissão de doenças. A higienização do ambiente envolve o processo de limpeza e desinfecção. É muito importante realizar a higienização, porque os microrganismos se multiplicam em resíduos ou sujidades que permanecem nesses locais, contaminando-os e disseminando doenças.

 

A limpeza é a etapa mais importante do processo de higienização. Consiste em retirar a sujeira de um local (pisos, paredes, móveis, equipamentos e outros objetos), e esfregando bem a superfície com água e sabão ou detergente, com posterior enxágue e secagem.

Proceder à limpeza partindo sempre:

  • Da área mais limpa para a área mais suja;

  • Da área menos contaminada para a área mais contaminada;

  • De cima para baixo (ação da gravidade);

  • Remover a sujeira sempre num mesmo sentido e numa mesma direção.

A desinfecção é o processo de destruição de microrganismos que causam doenças (vírus, bactérias, fungos, parasitas...), mediante a aplicação de agentes físicos e químicos. Pode ser realizada por fervura ou pela utilização de produtos químicos desinfetantes.

 

Para a desinfecção de pisos e paredes, normalmente usa-se o cloro inorgânico na forma de hipoclorito de sódio (água sanitária ou outro produto específico):

  • Possui ação bactericida, tuberculicida (contra o bacilo da tuberculose) e fungicida; 

  • É um desinfetante de baixa toxidade oral, característica importante quando se considera que a criança frequentemente leva objetos à boca; 

  • Deve ser aplicado em superfícies previamente limpas, pois não age na presença de matéria orgânica, exceto em concentrações muito elevadas;

  • A diluição e o tempo de exposição para ter a ação germicida devem ser respeitados (200 ml de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) diluídos para 5 litros com água. O tempo mínimo de permanência é de dois minutos.

Confira abaixo algumas orientações sobre a higiene da casa:

  • Limpar a poeira dos móveis com um pano úmido. Retire os objetos de decoração para serem lavados também; 

  • Evitar varrer a casa, pois a vassoura costuma levantar a poeira que, com tempo, assenta novamente no chão. Procure passar pano úmido, pelo menos três vezes por semana;

  • Utilizar um aspirador de pó para limpar os sofás, poltronas e tapetes da casa. Isso elimina os ácaros que se instalam no estofado. Mas não se esqueça de que, de vez em quando, é preciso lavar os tecidos para tirar também o mau cheiro.

  • Trocar lençóis das camas e fronhas de travesseiros, no mínimo, uma vez por semana. Retirar cortinas para lavar periodicamente.

  • Dedetizar a casa de tempos em tempos, para se livrar dos insetos e ratos, que podem trazer doenças. Nunca deixe restos de comidas sobre a mesa ou pelo chão pois esses resíduos atraem formigas, baratas e outros insetos e também roedores;

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  • Usar desinfetantes no banheiro, além dos detergentes normais para limpar o vaso sanitário, a pia e o box do chuveiro, porque esse produto tem o poder de matar os germes e bactérias, tão comuns nesse cômodo da casa.

  • Abra portas e janelas diariamente, para arejar e ventilar a casa; a ventilação deve proporcionar a renovação do ar e reduzir a umidade; 

  • As instalações elétricas devem ser embutidas ou, caso não seja possível, revestidas por tubulação de fácil limpeza; 

Acondicionamento e destino adequado do lixo

Acondicione o lixo em sacos plásticos resistentes 

  • Conserve os sacos de lixo em lixeiras de plástico ou de metal, que facilitam a limpeza;

  • A lixeira deve ter tampa acionada por pedal (para impedir o contato manual), permanecendo sempre fechada;

  • Deixe a lixeira longe do alcance das crianças

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Nas áreas externas, coloque o lixo em local adequado:

  • Em estrados altos para evitar contato com roedores e outros animais;

  • Protegido da chuva e do sol;

  • Em recipientes fechados, de fácil limpeza;

  • Em recipientes separados por tipo: lixo orgânico (restos de alimentos) e lixo reciclável (papel, vidro, plástico e metal);

  • Evite o acúmulo de caixas, garrafas e sucatas que favoreçam o aparecimento de insetos e roedores.

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