
VACINA CONTRA RAIVA
Introdução
A Raiva humana é uma zoonose transmitida ao ser humano pela inoculação do vírus presente na saliva e nas secreções do animal infectado, principalmente por mordedura e lambedura. O vírus da raiva pertence à família Rhabdoviridae. São 16 espécies distintas, entre as quais a espécie circulante no Brasil - Rabies lyssavirus (RABV) - com cinco variantes associadas a reservatórios específicos. Apenas os mamíferos transmitem e são acometidos pelo vírus da raiva. Caninos e felinos constituem as principais fontes de infecção nas áreas urbanas. Os morcegos são os responsáveis pela manutenção da cadeia silvestre, entretanto outros mamíferos silvestres, como raposas e cachorro-do-mato, gatos-do-mato, gambás e saguis, também apresentam importância epidemiológica nos ciclos da raiva. Na zona rural, a doença afeta bovinos e equinos. O vírus causa encefalite progressiva e aguda com letalidade de aproximadamente 100%.

Vacina Contra Raiva
As vacinas contra a raiva para uso humano são constituídas por vírus inativados. Há dois tipos de vacina:
(1) vacinas produzidas em tecido nervoso
(2) vacinas produzidas em cultura de células ou em ovos embrionados.
Composição
As vacinas de cultura celular são produzidas por diferentes técnicas dependendo do tipo de células utilizadas no cultivo do vírus (células diploides humanas, células Vero, células de embrião de galinha, entre outras) com cepas de vírus Pasteur (PV) ou Pittman-Moore (PM), inativados pela betapropriolactona.
A Organização Mundial da Saúde, recomenda que as vacinas de tecido nervoso sejam substituídas pelas de cultura de células ou ovos embrionados, pois estas são mais eficazes e seguras que aquelas. A vacina de cultivo celular é a mais potente, segura e praticamente isenta de risco.
No Brasil, a vacina antirrábica utilizada é de cultura celular em células Vero.
Apresentação
Frasco com o produto liofilizado, acompanhado do diluente em seringa monodose de 0,5 mL ou 1,0 mL, de acordo com o laboratório produtor.
Indicação
A vacina é indicada para a profilaxia da raiva humana nas seguintes situações:
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Pré-exposição ao vírus rábico em indivíduos que, por força de suas atividades, estão permanentemente expostos ao risco da infecção pelo vírus, como médicos veterinários, biólogos, profissionais e auxiliares de laboratórios de virologia e anatomopatologia para a raiva, estudantes de veterinária, biologia e agrotecnia; para profissionais que atuam no campo na captura, vacinação, identificação e classificação de mamíferos passíveis de portar o vírus, bem como funcionários de zoológicos; indivíduos que desenvolvem trabalho de campo (pesquisas, investigações ecoepidemiológicas) com animais silvestres; espeleólogos, guias de ecoturismo, pescadores, carteiros e outros profissionais que atuam em áreas de risco. Também está indicada para indivíduos com risco de exposição ocasional ao vírus, como turistas que viajam para áreas de raiva não controlada (que devem ser avaliadas individualmente) e gestantes, estas após avaliação criteriosa do risco pelo benefício.
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Pós-exposição ao vírus rábico em indivíduos que sofreram mordedura, arranhadura ou lambedura de mucosa provocadas por animais transmissores da doença, conforme quadro abaixo.
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Reexposição ao vírus rábico em indivíduos que já tenham recebido profilaxia anteriormente.

Profilaxia Pré-exposição
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Na pré-exposição, ou seja, quando for indicada a administração da vacina antes do contato com o vírus da raiva, o esquema é de duas doses: no dia zero e no 7º dia. O controle sorológico é uma exigência básica para a correta avaliação do indivíduo vacinado.
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Quando o indivíduo realizou a profilaxia de pré-exposição e for exposto ao vírus da raiva, a conduta a ser adotada é a seguinte:
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Caso apresente comprovação sorológica com títulos protetores (maiores ou iguais a 0,5 UI/mL), não administre a vacina.
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Caso não apresente comprovação sorológica ou o título seja inferior a 0,5 UI/mL, aplique uma dose e realize o teste sorológico a partir 14º dia após a vacinação.
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Notas:
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O controle sorológico é feito a partir do 14º dia após a última dose do esquema.
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Profissionais que realizam pré-exposição devem repetir a titulação de anticorpos com periodicidade de acordo com o risco a que estão expostos. Caso o resultado seja < 0,5 UI/ mL, uma dose de reforço da vacina deve ser indicada e a avaliação sorológica necessita ser repetida após 14 dias. Não está indicada a repetição da sorologia para profissionais que trabalham em situação de baixo risco, como funcionários de pet shops e veterinários que trabalham em área de raiva controlada, entre outros.
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O controle sorológico (titulação) de anticorpos é exigência indispensável para a correta avaliação do esquema de pré-exposição.
Profilaxia Pós-exposição
Na pós-exposição, o esquema depende do tipo de exposição, da natureza da agressão e das condições do animal agressor. Essas características são fundamentais para determinar a indicação ou não de profilaxia da raiva.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de vigilância em saúde: volume 1 [recurso eletrônico]. 6. ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. 3 v.: il.
Eventos Adversos
As vacinas antirrábicas produzidas em meio de cultura de células são seguras e bem toleradas. De acordo com trabalhos publicados, causam poucos eventos adversos e, na grande maioria, são eventos de gravidade leve a moderada. No entanto, como outros imunobiológicos, podem ocorrer eventos graves, como anafilaxia e sintomas neurológicos.
Locais
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Dor, prurido, edema, enduração e pápulas urticariformes são relatadas em 15% a 25% dos vacinados.
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Outras reações locais descritas são: abscesso no local da injeção e linfadenopatia regional.
Sistêmicos
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Febre, mal-estar, cefaleia, náuseas, dor abdominal, dores musculares e tonturas são referidas em 10% a 20% dos casos e podem ocorrer durante ou após a administração do esquema vacinal.
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Manifestações de hipersensibilidade: reações alérgicas como exantema pruriginoso generalizado, urticária, artralgia, artrites, angioedema, e raramente anafilaxia.
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Casos isolados de manifestações neurológicas foram reportados: alterações desmielinizantes e inflamatórias tais como, paralisia progressiva ascendente (síndrome de Guillain-Barré) ou inflamação do nervo ótico.
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Quadros de reação aguda em pacientes com doenças autoimunes (como a esclerose múltipla) ou com predisposição genética.
Contraindicações
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Não há contraindicação específica para vacina e soro em caso de profilaxia pós-exposição, considerando-se a gravidade e a evolução fatal da doença, mesmo durante a gravidez, mulheres amamentando, doenças intercorrentes ou pessoas imunocomprometidas, incluindo doentes com HIV/aids.
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Nota:
Quando o usuário estiver fazendo o uso de corticoide e/ou imunossupressores, suspenda o tratamento logo que iniciar o esquema de vacinação e retorne logo após completar o esquema vacinal.
Alguns aspectos epidemiológicos da Raiva
Agente Etiológico
Modo de Transmissão
Período de Incubação
Transmissibilidade
Imunidade
Vírus da Raiva. Família Rabdoviridae. Reservatório nos mamíferos domésticos (cão e gato) ou selvagens (morcego, macaco, sagui, raposa...)
Transmissão direta. a saliva do animal penetra com mordedura, arranhadura ou lambedura de ferimentos ou mucosas.
Variável, depende da localização e da gravidade dos ferimentos produzidos pelos animais contaminados, proximidade com troncos nervosos, quantidade de partículas virais inoculadas
Em cães e gatos, a eliminação de vírus pela saliva se dá de dois a cinco dias antes do aparecimento de sinais e sintomas no animal, permanecendo durante toda a evolução da doença. Em outros animais é variável.
Não se conhece a existência de imunidade natural no homem.
A imunidade pode ser adquirida pela vacinação pré e pós exposição.
BIBLIOGRAFIA DE REFERÊNCIA
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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de vigilância em saúde: volume 1 [recurso eletrônico]. 6. ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. 3 v.: il. ACESSO: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_6edrev_v1.pdf
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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Coordenação-Geral de Incorporação Científica e Imunização. Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2024. Brasília, 2024.
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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação. 2. ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. 294 p. il.
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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Imunizações e Doenças Imunopreveníveis. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais. 6. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. 176 p.: il.
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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis. Manual de vigilância epidemiológica de eventos adversos pós-vacinação. 4. ed. atual. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. 340 p. il.

