
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO
Revisado em 26/08/2026
Introdução
O trato urinário é estéril (ausência de bactérias), exceto pela extremidade distal da uretra que é habitualmente colonizada por bactérias da flora intestinal. A ausência de bactérias no trato urinário se deve às suas características anatômicas, imunológicas e funcionais, destacando-se o fluxo urinário contínuo e o completo esvaziamento da bexiga.
A Infecção do Trato Urinário (ITU), consiste na presença e multiplicação de germes patogênicos no sistema urinário resultando em processo inflamatório sintomático. Cada episódio de ITU é ocasionado tipicamente por um único tipo de bactéria. A ITU é uma das infecções bacterianas mais prevalentes em pediatria, ocorrendo mais frequentemente em meninas acima de um ano de idade. No primeiro ano de vida a ITU ocorre com frequência semelhante em meninos e meninas, com tendência a ser mais frequente nos meninos (não circuncidados) durante o primeiro semestre de vida.
A ITU pode ser classificada em "baixa" ou "alta" de acordo com o sítio anatômico comprometido no trato urinário. Na ITU baixa ou cistite, o processo inflamatório se situa na mucosa da bexiga urinária. Na ITU alta ou pielonefrite, as bactérias ascendem para os rins por meio do trato urinário superior, causando inflamação no parênquima renal. Caso a ITU não seja imediatamente diagnosticada e tratada de modo adequado, pode ocasionar complicações, incluindo sepse, abscesso renal, hidronefrose e formação de cicatrizes renais. As cicatrizes renais são lesões permanentes, em que o tecido renal lesado é substituído por tecido conjuntivo cicatricial. Quadros recorrentes de ITU podem ampliar essas lesões e, no futuro, evoluírem com redução da função renal, hipertensão arterial, entre outras complicações.
Em lactentes, destacam-se, como fatores predisponentes para ITU, o refluxo vesico ureteral (RVU), estenose de junção uretero-pélvica, válvula de uretra posterior e outras anomalias estruturais do sistema urinário. A partir da idade pré-escolar (dois a cinco anos de idade), as alterações funcionais do trato urinário é que se apresentam como os principais fatores predisponentes, destacando-se a disfunção vesical e intestinal (DVI), a bexiga neurogênica, entre outras. É importante sempre questionar a família sobre o funcionamento intestinal e urinário detalhadamente, lembrando que, de um modo geral, a partir de 2 a 3 anos de idade, já há controle esfincteriano adequado durante o dia e, até os 5 anos, a criança já tem controle também durante a noite. Condições neuropsiquiátrias como transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno desafiador e de oposição, distúrbios de aprendizagem e do sono são frequentes nas crianças com DVI e devem ser igualmente abordados.
Quadro 1. Fatores de Risco para infecção do trato urinário

FONTE: Souza (2023)
Etiologia
A Escherichia coli é o agente etiológico mais frequente em todas as faixas etárias, sendo responsável por 80 a 90% dos episódios agudos de pielonefrite adquirida na comunidade, em crianças. No período neonatal, outros possíveis agentes incluem Klebsiella spp., Enterococcus spp. e Streptococcus do grupo B. Após o período neonatal, outros agentes incluem Klebsiella spp., Proteus mirabilis e, na adolescência, o Staphylococcus saprofiticus. Nos primeiros meses de vida ou em casos de anomalias do trato urinário não é raro a presença bactérias menos comuns, como o Enterobacter e Pseudomonas.
Quadro Clínico
O quadro clínico varia de acordo com a faixa etária e a gravidade da infecção.
Nos casos de cistite, os sintomas são mais localizados, com alteração de odor, cor ou volume da urina, dor abdominal em baixo ventre, disúria, polaciúria, incontinência, urgência miccional, enurese secundária, podendo, ou não, apresentar febre. O quadro da pielonefrite tende a apresentar, além dos sintomas locais, manifestações clínicas sistêmicas, tais como, prostração, febre alta, vômitos, recusa alimentar, dor abdominal, dor lombar e nos casos mais graves, sinais de sepse.
Em lactentes, outras manifestações de ITU incluem choro frequente, irritabilidade, sono irregular, hiporexia, diarreia e perda ponderal. Os recém-nascidos podem ainda apresentar icterícia, devido a um quadro de colestase, como manifestação clínica de ITU.
Quadro 2. Sinais e sintomas clínicos de infecção do trato urinário de acordo com a faixa etária

Quadro elaborado pelo autor
FONTE: Souza (2023)
Diagnóstico
Após a suspeição clínica, a coleta adequada de urina (por cateterismo vesical ou punção suprapúbica em crianças que ainda não controlam os esfíncteres) é crucial para o correto diagnóstico de ITU.
Exames laboratoriais
Exame de Urina
A urocultura é o padrão ouro para diagnóstico de ITU, mas necessita de pelo menos 48h para o resultado. Sendo assim, o EAS com piúria e hematúria quantitativas, associado à bacterioscopia da lâmina de urina corada pelo Gram poderá antecipar o provável diagnóstico de ITU se apresentar:
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piúria aumentada: contagem acima de 10 leucócitos (piócitos) por campo de grande aumento ou acima de 10.000/mL (quantitativa)
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nitrito positivo
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esterase leucocitária positiva
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presença de bactérias de um único padrão morfológico na bacterioscopia (na maioria das vezes, bacilos gram negativos)
A contagem de colônias bacterianas a ser considerada para a confirmação do diagnóstico de ITU na urocultura irá depender do método de coleta:
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Se a urina for obtida por punção supra púbica: qualquer contagem de colônias bacterianas de um único tipo de bactéria define o diagnóstico de ITU.
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Se a urina for obtida por cateterismo vesical (sonda uretral): tradicionalmente, uma contagem de colônias ≥ 50.000 UFC/ml de um único tipo de bactéria define o diagnóstico de ITU, embora ≥10.000 UFC/mL sejam atualmente aceitáveis para amostras coletadas por cateterismo quando há presença de piúria e febre. [1] [3]
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Se a urina for obtida por jato intermediário (jato médio): o diagnóstico de ITU é definido se houver contagem de colônias acima de 100.000 UFC/ml de um único tipo de bactéria .
Saco coletor: Amostras coletadas com saco coletor apresentam taxas de contaminação inaceitavelmente altas e não devem ser submetidas à cultura. [3] Sendo assim, não é considerado válido para diagnóstico de ITU. Mesmo assim esse método de coleta de urina ainda é utilizado na prática em lactentes e crianças sem controle esfincteriano. Em geral, o resultado do exame de urina coletada por esse método, só é válido quando normal, sendo possível, neste caso, descartar ITU.
Quando, numa realidade em que esse for o único método possível, deverá seguir as seguintes recomendações:
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assepsia rigorosa da região perineal;
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troca do saco coletor a cada 30 minutos precedida de nova assepsia, até que haja micção.
- Só considerar o resultado como válido, se:
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criança com alta suspeita clínica de ITU e
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crescimento de um único tipo de germe na urocultura e
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contagem de colônias bacterianas acima de 100.000 UFC/mL
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confirmar o diagnóstico com urina coletada por método válido (cateterismo vesical).
Outros exames
Outros exames podem ser indicados com o objetivo de investigar a gravidade da infecção, função renal e possíveis repercussões sistêmicas relacionadas à ITU. Incluem hemograma, proteína C reativa, procalcitonina, ureia, creatinina, hemocultura, entre outros.
Exames de imagem
Ultrassonografia de rins e vias urinárias
A ultrassonografia renal e de bexiga é recomendada após o primeiro episódio de ITU em crianças mais novas (tipicamente ≤ 24 meses) e após ITU recorrente em crianças mais velhas, ou em casos de apresentação atípica (doença grave, patógeno diferente de E. coli, resposta insatisfatória ou evolução inesperada). É um exame não invasivo e isento de radiação ionizante. O objetivo do exame é detectar a existência de malformações do sistema urinário, embora uma ultrassonografia normal não exclua a existência dessas alterações. Sua sensibilidade é apenas moderada (40%) para detectar até mesmo refluxo vesicoureteral de grau elevado. [1][10][11]
Outros exames de imagem, como a uretrocistografia miccional e cintilografia renal estática (DMSA), não apresentam consenso na literatura sobre os critérios para sua realização. Há divergências com relação à gênero, idade, o momento para realização de cada exame e quais seriam os critérios clínicos em que o exame pode contribuir de modo significativo. Independente dessas divergências, esses exames têm sua indicação definida pelo padrão ouro de cada um.
Uretrocistografia miccional
A uretrocistografia miccional (UCM) deve ser considerada se a ultrassonografia apresentar alterações, o patógeno causador for atípico, a evolução clínica for complicada, houver cicatriz renal conhecida ou histórico familiar de RVU/CAKUT. Portanto, a UCM não é necessária após a maioria dos primeiros episódios de ITU febril, uma vez que menos de um terço das crianças afetadas apresenta refluxo vesicoureteral (RVU) e menos de 10% dessas apresentam RVU de graus 4 ou 5. [1][10]
A uretrocistografia miccional é o melhor exame para o diagnóstico de refluxo vesico ureteral. É um exame invasivo e desconfortável para a criança e inclui significativa exposição da criança à radiação ionizante. No entanto, os benefícios do diagnóstico superam o risco limitado associado à exposição. Em geral, quando indicado, o exame é realizado, no mínimo, trinta dias após o término do tratamento da ITU.
Cintilografia renal estática (DMSA)
É o padrão ouro para o diagnóstico de cicatrizes renais. Como em qualquer outro exame de medicina nuclear, o paciente é exposto a uma pequena dose de radiação, considerada segura. O exame é realizado, geralmente, pelo menos seis meses após o tratamento do episódio de ITU.
Figura 3. Investigação morfológica do sistema urinário por imagem na propedêutica complementar de infecção do trato urinário em crianças abaixo de 2 anos de idade.

Quadro elaborado pelo autor
Tratamento
Em crianças com sintomas de Infecção do Trato Urinário (ITU) e alterações no exame de urina (nitrito ou esterase leucocitária positivos, piúria e bacterioscopia positiva), a antibioticoterapia deve ser iniciada imediatamente para erradicar a infecção e prevenir complicações. Idealmente, colete a amostra de urina para urocultura e antibiograma antes da primeira dose.
O tratamento empírico deve utilizar o antimicrobiano de menor espectro possível capaz de erradicar o uropatógeno. A escolha deve ser guiada pela morfologia bacteriana e coloração de Gram (bacterioscopia). Caso o exame não esteja disponível, priorize a cobertura contra Escherichia coli. A escolha entre a via oral (ambulatorial) ou parenteral (hospitalar) depende do risco de complicações. Avalie os seguintes critérios:
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Idade: risco elevado em menores de 2 a 3 meses.
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Estado geral: presença de manifestações clínicas sistêmicas.
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Tolerância oral: vômitos ou recusa alimentar.
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Comorbidades: doenças de base associadas.
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Anatomia: alterações estruturais ou funcionais do trato urinário.
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Fatores sociais: barreiras no acesso ou na adesão ao tratamento domiciliar.
A maioria das crianças com mais de 2 meses que não apresentam fatores de risco de complicações, pode ser tratada por via oral em ambiente ambulatorial sem necessidade de internação hospitalar [1] Já as pielonefrites agudas com risco de complicações exigem internação e medicação parenteral para atingir rapidamente altas concentrações do antimicrobiano no plasma e na urina. A terapia empírica deve ser orientada pelos padrões locais de resistência. Em crianças pequenas febris com alta probabilidade de acometimento renal, geralmente prefere-se uma cefalosporina de terceira geração, visto que a maioria dos uropatógenos é resistente à amoxicilina, a qual deve ser evitada. [1] Em crianças afebris, o uso de cefalosporina de primeira geração, trimetoprima-sulfametoxazol ou nitrofurantoína é uma opção razoável (a nitrofurantoína não deve ser utilizada para pielonefrite, pois não atinge níveis teciduais/sanguíneos adequados). [1][10] O tratamento deve ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da febre, pois o atraso aumenta o risco de cicatrizes renais. [1][10]
A duração do tratamento de pielonefrite deve ser de 10 dias e de cistite, 5 dias. Os antibióticos mais adequados ao tratamento das ITU's são:
Via parenteral:
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Cefalosporina de 2ª geração: Cefuroxime 150mg/kg/dia (8/8h)
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Cefalosporina de 3ª geração: Cefotaxima 150 mg/kg/dia (8/8h) ou Ceftriaxona 50 a 100 mg/kg/dia (12/12h ou 24/24h)
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Aminoglicosídeos: Gentamicina 7,5 mg/kg/dia (8/8h) ou Amicacina 15 a 22,5 mg/kg/dia (12/12h)
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Piperacilina/Tazobactam 300mg/kg/dia (6/6h ou 8/8h)
Via oral:
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Cefuroxima axetil 30 mg/kg/dia
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Amoxicilina + Clavulanato 50 mg/kg/dia
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Ciprofloxacina 20 a 30mg/kg/dia(12/12h)
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Nitrofurantoina 5-7mg/kg/dia (6/6h) - Não atinge níveis adequados para pielonefrite, indicada só para o tratamento de cistites.
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Cefalexina 50mg/kg/dia(6/6h ou 8/8h)
É necessário reavaliar o paciente em 48 a 72 horas, com base na evolução clínica principalmente, mas também no resultado da urocultura e antibiograma.
Profilaxia
Medidas educativas
Como a disfunção vesical e intestinal (DVI) afeta de 30% a 50% das crianças no primeiro episódio de ITU e é um fator de risco relevante para recorrências, deve-se investigar detalhadamente o hábito intestinal e urinário da criança com a família. Comportamentos retentores são frequentes na infância e costumam ser pouco valorizados pela família. Algumas medidas que podem contribuir na prevenção de ITU, incluem:
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Ir ao banheiro com regularidade (a cada 3 ou 4 horas) para urinar, mesmo se não tiver vontade
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Urinar antes de dormir;
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Não segurar a urina quando der vontade de urinar;
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Ingerir líquidos frequentemente (pelo menos 1 litro de água por dia), mas não ingerir líquidos a partir de duas horas antes de dormir (isto inclui mamadeiras);
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Sentar-se bem no vaso, com acento redutor, sem pressa, com os pés apoiados;
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Alimentação rica em fibras, incluindo frutas, verduras em folha e legumes diariamente
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Ter um horário para evacuar (sentar-se no vaso 10 minutos após uma das refeições);
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Higiene adequada da região perineal (genitália e ânus) após evacuar ou urinar.
Quimioprofilaxia
Além das medidas educativas e de higiene, em alguns casos específicos, a profilaxia antimicrobiana pode reduzir os episódios recorrentes de pielonefrite e consequentemente, a instalação ou piora de lesões e cicatrizes renais. A indicação de quimioprofilaxia e sua eficácia são discutíveis na literatura. Há de se considerar que a adesão à antibioticoterapia diária não é tarefa fácil, os efeitos colaterais não são desprezíveis e ainda há de se considerar o risco do surgimento de resistência bacteriana.
Apesar disso, sabe-se que alguns pacientes portadores de anormalidades significativas do trato urinário podem se beneficiar com o uso contínuo de antibióticos profiláticos. Estes incluem crianças com alterações na ultrassonografia, portadoras de refluxo vesico ureteral graus 4 ou 5, uropatias obstrutivas (estenose de junção uretero-pélvica ou uretero-vesical, válvula de uretra posterior) e ITU recorrentes. Nesses pacientes a profilaxia deve ser mantida até a realização de toda a propedêutica de imagem e/ou até a intervenção cirúrgica corretiva, quando for o caso.
Os medicamentos mais utilizados atualmente na quimioprofilaxia são a nitrofurantoína ou sulfametoxazol-trimetroprim (nos maiores de 6 semanas de vida) e a cefalexina (nos menores de 6 semanas). A dose profilática corresponde a 1/3 da dose terapêutica, administrada uma vez ao dia (de preferência à noite).

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Referências
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Amoxicilina + Clavulanato
Apresentação: suspensão 250 mg + 62,5 mg/5 ml; 400 mg + 57 mg/5 ml; comprimidos 500 mg
Calcular a dose: Calcular pela amoxicilina 50 mg/kg/dia
Posologia: A dose diária deve ser fracionada em duas ou três tomadas, de 8/8 h ou 12/12 horas
Duração do tratamento: 10 dias
Cefalexina
Apresentação: suspensão 250 mg/5mL; drágeas de 500 mg
Calcular a dose: 50 mg/kg/dia
Posologia: A dose diária deve ser fracionada em quatro tomadas, de 6/6horas
Duração do tratamento: 7 a 10 dias
Cefadroxila
Apresentação: suspensão 250 mg/5mL; cápsulas de 500 mg
Calcular a dose: 25 a 50 mg/kg/dia
Posologia: A dose diária deve ser fracionada em duas tomadas, de 12/12 horas
Duração do tratamento: 7 a 10 dias
Cefuroxima (axetilcefuroxima)
Apresentação: suspensão 250 mg/5mL; comprimidos de 250 ou 500 mg
Calcular a dose: 30 mg/kg/dia
Posologia: A dose diária deve ser fracionada em duas tomadas, de 12/12 horas
Duração do tratamento: 7 a 10 dias
Ceftriaxona
Apresentação: Frascos de 500 mg ou 1 g (para aplicação IM)
Calcular a dose: 50 a 100 mg/kg/dia
Posologia: 12/12h ou 24/24 horas
Duração do tratamento: 7 a 10 dias
Gentamicina
Apresentação: Ampolas de 80 mg / 2 mL
Calcular a dose: 5 a 7,5 mg/kg/dia
Posologia: 8/8h, 12/12h ou 24/24 horas
Duração do tratamento: 7 a 10 dias

